Páginas

Esta foi a maneira que encontrei de dividir com vocês minhas alegrias, emoções, meus anseios, dúvidas, questionamentos,.. enfim, dividir um pouco de mim, afinal, ser mulher, mãe e esposa, não é fácil e eu não vim com manual de instruções!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Sou Pai e também perdi meu filho!

Perder um filho não é fácil para os Pais.

Normalmente a Mãe recebe apoio dos amigos, parentes,... mas e o pai? Geralmente ele recebe uma ou duas palavras de incentivo e só. Os homens não sabem conversar sobre o luto, aliás, quem sabe não é mesmo?

Aqui em casa eu me lembro muito bem do momento que meu esposo recebeu a ligação de uma amigo, ele estava deitado na cama comigo, sem chão assim como eu, mas após este telefonema, ele deu um salto da cama, tomou um banho e foi trabalhar! Não sei ao certo qua foi o teor da ligação, mas confesso que desejei ouvir aquelas palavras tão animadoras a ponto de fazer um pai que acabou de perder seu filho se levantar e seguir em frente como "se nada tivesse acontecido" rsrs

Após isso, não posso falar quantas vezes meu esposo pode conversar com alguém sobre a Olívia, só sei que foram muito menos do que eu.

Acho engraçado essa necessidade dos homens em mostrar uma força que na verdade é inexistente. Uma fortaleza que no fundo tem muros baixos e não tem portão algum. Eles não se permitem fraquejar e quando permitem, vem logo outro homem para lembra-lo que ele "precisa ser forte" e seguir em frente. Afinal ele é homem não? Uma pena!

Nesses 6 anos que me tornei mãe órfã, tenho visto muitos casais se divorciarem. Muitos mesmo. Não sei, mas eu relaciono com a falta de maturidade e e apoio para lidarem com a frustração de não ter conseguido muitas vezes formar a família que eles planejavam ou aumenta-la.

Claro que tudo tem vários lados e tem também aqueles casais que se apegam ainda mais e formam um vinculo cada dia maior por viverem esta dor juntos, mas hoje quero falar sobre o lado mais triste, o da separação.

A mulher por sua fragilidade natural e por tudo o que viveu, carrega consigo muitas vezes a culpa por não ter conseguido levar a gestação adiante ou até mesmo por algo que possa ter acontecido após o nascimento e durante a vida do filho que morreu, mas o pior é que muitos homens consciente ou inconscientemente culpam essas mulheres pela perda.

Hoje, 5 anos depois do falecimento da nossa filha eu sei que meu marido ainda sofre demais pela morte dela e que muitas duvidas ainda pairam em seu coração. Eu sei que depois daquele 19 de janeiro, os olhos dele não brilharam mais como antes e sei também que deveríamos ter sido instruídos ou tomado a iniciativa de procurar uma ajuda profissional, já que o apoio que vem de fora, na grande maioria das vezes não vem da forma que precisamos.

Eu sou uma mulher de sorte! Nunca escutei do meu esposo que a "culpa foi minha" ou que eu deveria ter feito algo diferente, muito pelo contrário, mas eu sei que muitas amigas minhas escutaram isso diversas vezes e se magoaram muito, a ponto de transformar o amor por seu esposo e isso acaba gerando conflitos e separações, afinal, quando o marido culpa a esposa pela perda, acaba transferindo a frustração pela perda em sua relação e isso sem dúvidas abala o casamento.

Quando enterramos nossos filhos, enterramos também nossos planos, sonhos e esperanças, se reencontrar após isso é uma tarefa difícil e que precisa de muito apoio e ajuda.

Vamos nos ajudar mais. Vamos amar mais o próximo e oferecer ajuda não somente a mãe que perde seu filho, mas também ao pai. Pode parecer que não, mas agindo desta forma, podemos não só salvar pessoas, mas uma família!

O Pai também perdeu seu filho! Não menospreze a dor que ele sente.


Com carinho,


Roberta
"nosso amor é como o vento: não posso ver, não posso tocar, mas posso sentir!"